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Política: Quem manda, por que manda, como manda – João Ubaldo Ribeiro

Política: quem manda, porque manda, como manda
Política: quem manda, porque manda, como manda

“Política: quem manda, porque manda, como manda” é uma obra que foge dos padrões convencionais dos textos políticos.

João Ubaldo discute questões fundamentais da política de uma perspectiva menos acadêmica e mais centrada na natureza e nas consequências das decisões e interesses. Do ponto de vista prático, política tem a ver com quem manda, por que manda, como manda. E no fim das contas, ela interessa a todos e a cada um.

Logo no início da obra, em “Que coisa é a política”, o autor aponta as contradições entre como ela usualmente é vista e como realmente é. Este é um tópico abordado por autores que vão desde Nicolau Maquiavel até Max Weber, separando a política como atividade no âmbito do poder público e da política enquanto atividade humana.

O autor aponta a distância entre as formas dos regimes políticos e sua substância, ou seja, a existência de elementos como os “três poderes” não significa que um regime seja democrático em termos práticos. Discorre sobre as formas como são escolhidos os governantes, analisa os modelos eleitorais dos Estados Unidos e no do Brasil.

Política: quem manda, porque manda, como manda e o Brasil contemporâneo

Sobre os Partidos Políticos, Ribeiro chega a apontar uma classificação para eles, discutindo sistemas bipartidários e multipartidários, além de apresentar processos de escolhas de candidatos dos partidos para cargos eletivos.

Na parte final do livro, o autor fala sobre Ideologias e a vida de todo dia, apontando a ideologia como um elemento norteador da vida humana.

Ainda que o autor aponte o livro como um ensaio ou um “manual”, ele é muito mais do que isso, é uma descrição rica e vívida da vida política brasileira, e uma fonte muito boa de informações sobre como a política brasileira transcorre no dia a dia. Mesmo tendo sido publicado originalmente em 1981, a obra permanece muito atual, atestando tanto a genialidade do autor quanto a permanência das velhas práticas políticas no Brasil. Ele continua ajudando a entender Quem manda, porque manda, como manda.

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O texto foi escrito sem pretensões acadêmicas, portanto a leitura é fácil e pensada para um público mais amplo. Isso não significa que ele contenha generalismos ou que não tenha valor acadêmico, longe disso. Do meu ponto de vista esse é um verdadeiro clássico da política.

Política: quem manda, porque manda, como manda – Vale a leitura!

O autor

João Ubaldo Ribeiro - Quem manda porque manda como manda - voc.link

Nascido na cidade de Itaparica (Bahia) em 1941, João Ubaldo Osório Pimentel Ribeiro formou-se em direito na Universidade Federal da Bahia, e em Ciência Política na Universidade do Sul da Califórnia. Possuindo também pós-graduação em Administração Pública.

Mundialmente conhecido principalmente por seus romances, a contribuição do autor, que morreu em 2014 no Rio de Janeiro, não ficou restrita a esse gênero literário.


Política: quem manda, porque manda, como manda
João Ubaldo ribeiro, autor de "Política: quem manda, porque manda, como manda"

Dez bons conselhos de meu pai para cidadãos honestos e prestantes

Para encerrar, coloco aqui um trecho de “Quem manda, porque manda, como manda” de João Ubaldo Ribeiro, em que ele menciona no apêndice do livro alguns conselhos recebidos do pai, que ajudam a ter uma postura correta e vigilante na política e na vida privada:

Meu pai nunca me deu estes conselhos da forma sistematizada que está aí. Mas deu todos, inclusive mostrando como era que se fazia. Acho que ele não se incomodaria por eu passá-los adiante, pois ele também tinha muita consciência política.

1. Não seja tutelado

Não permita que as pessoas resolvam as coisas por você, por mais que o problema seja chato de enfrentar. Não finja que acredita em nada do que não acredita, não deixe que lhe imponham uma opinião que você está vendo que não pode ser sua.

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2. Não seja colonizado

Tenha orgulho de sua herança, não seja subserviente com o estrangeiro, não se ache inferior. Coma o que gostar, fale como gostar, vista-se como gostar — seja como seu povo, não seja macaco.

3. Não seja calado

Seja calado só por educação, até o ponto em que isto não o prejudicar. Se prejudicar, só cale a boca quando deixar de prejudicar. Não seja insolente e não tolere a insolência.

4. Não seja ignorante

Não ser ignorante é um dos mais sagrados direitos que você tem e, se você não usa voluntariamente esse direito, merece tudo o que de adverso lhe acontece. Se você sabe fazer bem o seu trabalho e conduzir corretamente sua vida, você não é ignorante. Mas, se recusar todas as oportunidades possíveis para aprender, você é. Se lhe negam o direito a não ser ignorante, você tem o direito de se rebelar contra qualquer autoridade.

5. Não seja submisso

Reconheça suas faltas, mas não se humilhe. Não existe razão na Natureza que diga que você tem de ser submisso a qualquer pessoa. Toda tentativa de submetê-lo é muitíssimo grave.

6. Não seja indiferente

Ser indiferente em relação ao semelhante ou ao que nos rodeia, quer você seja religioso ou não, é um dos maiores pecados que existem, porque é um pecado contra nós mesmos, um suicídio.

7. Não seja amargo

As coisas acontecem, aconteceram, ficam acontecidas. Se você for amargo, essas coisas continuam acontecendo. Construa sempre.

8. Não seja intolerante

Alegre-se com a diversidade humana. Procure honestamente entender os outros. Só não seja tolerante com os inimigos conscientes e comprometidos com o seu fim.

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9. Não seja medroso

Todo mundo tem medo, mas a pessoa não pode ser medrosa. Para viver e fazer, é necessário manter uma coragem constante e acesa. Isto consiste em vencer a própria pequenez e é um dever e uma obrigação para com nós mesmos.

10. Não seja burro

Sim, não seja burro. Normalmente, quando você está infeliz, você está sendo burro. Quando você está sendo explorado, você é sempre infeliz.

4 Comments

  1. […] Inglaterra. Sua principal obra, Leviatã, teve uma influência considerável na filosofia política moderna, através de sua proposição do estado da natureza e do contrato social como origem dos […]

  2. […] É preciso estar despido dos meus moralismos, da minha consciência do que significa ser normal e disposição para participar ou analisar um evento, atividade ou conduta cultural com base naquilo que ele significa para o “outro”. A natureza dessa relação entre mim e o “outro” implica sempre uma relação de poder, que pode ser compreendida em vários níveis, desde a ação social, envolvendo apenas certos grupos, até o poder político e Estatal. […]

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